A poucos quilômetros de Londres fica um dos lugares mais importantes da história da monarquia britânica. O Castelo de Windsor não é apenas uma construção medieval transformada em atração turística. Ele continua sendo uma residência oficial da família real, recebendo cerimônias, eventos de Estado e visitantes de diferentes partes do mundo. Considerado o castelo habitado mais antigo e maior do mundo, Windsor acompanha a história da Inglaterra há quase mil anos. Sua construção começou por volta de 1070, durante o reinado de Guilherme, o Conquistador, e desde então o complexo passou por ampliações, reconstruções e transformações realizadas por diferentes monarcas. O interessante é que podemos visitar boa parte desse patrimônio em um passeio de apenas um dia, saindo de Londres pela manhã e retornando à capital inglesa no final da tarde. Para quem gosta de história, arquitetura e das tradições da monarquia, Windsor merece entrar no roteiro de viagem pela Inglaterra. A história do Castelo de Windsor A origem do Castelo de Windsor está relacionada à conquista normanda da Inglaterra, em 1066. Depois de assumir o trono inglês, Guilherme, o Conquistador, iniciou a construção de uma série de fortificações destinadas a proteger Londres e consolidar seu poder sobre o território. Windsor foi escolhido por sua localização estratégica, em uma área elevada próxima ao rio Tâmisa e às antigas florestas utilizadas para caçadas reais. A fortificação original era composta principalmente por estruturas de madeira e terra, bastante diferentes do imponente complexo de pedra que conhecemos atualmente. Com o passar dos séculos, os reis ingleses transformaram a fortaleza em residência real. Henrique II ampliou suas estruturas, Eduardo III promoveu importantes mudanças durante o século XIV e outros monarcas acrescentaram salões, apartamentos, capelas e elementos decorativos. Durante o reinado de Jorge IV, no século XIX, o castelo passou por uma grande transformação arquitetônica, adquirindo parte da aparência monumental que apresenta hoje. O resultado é um conjunto que reúne características medievais, góticas e elementos de diferentes períodos da arquitetura britânica. Segundo o Royal Collection Trust, Windsor já foi residência de 40 monarcas britânicos. O incêndio de 1992 e a reconstrução do castelo Um dos acontecimentos mais marcantes da história recente de Windsor foi o grande incêndio de 20 de novembro de 1992. O fogo atingiu parte dos apartamentos e salões históricos, provocando enormes danos ao patrimônio. A restauração exigiu um trabalho complexo de arquitetos, historiadores, artistas e especialistas em conservação, que precisaram reconstruir ambientes históricos sem comprometer as características originais do edifício. As obras foram concluídas em 1997, permitindo a recuperação de importantes espaços cerimoniais. Algumas áreas receberam reconstruções que respeitam a tradição arquitetônica do castelo, enquanto outras incorporaram soluções contemporâneas. Conhecer Windsor hoje também significa compreender como um patrimônio histórico dessa dimensão pode ser restaurado e preservado para as próximas gerações. O que conhecer dentro do Castelo de Windsor? A visita permite explorar diferentes áreas do complexo, embora algumas possam permanecer fechadas temporariamente em razão de compromissos oficiais da família real. Entre as principais atrações estão os Apartamentos de Estado, a Capela de São Jorge, a Casa de Bonecas da Rainha Mary e os pátios históricos. Apartamentos de Estado: os salões da monarquia britânica Os State Apartments, ou Apartamentos de Estado, estão entre os ambientes mais impressionantes do castelo. São salões utilizados historicamente para recepções, cerimônias e compromissos ligados à monarquia britânica. Os visitantes encontram pinturas, mobiliário histórico, tapeçarias, esculturas e objetos pertencentes à Royal Collection, uma das mais importantes coleções de arte associadas à monarquia europeia. Entre os ambientes de destaque estão o St. George’s Hall, conhecido por suas dimensões e decoração, e o Grand Reception Room, com elementos ornamentais que refletem o gosto artístico da corte britânica. Esses espaços ajudam a compreender como a arquitetura e a decoração eram utilizadas para representar poder, tradição e prestígio. Capela de São Jorge: onde estão sepultados reis e rainhas A St. George’s Chapel é uma das construções mais importantes do Castelo de Windsor. Sua arquitetura gótica impressiona pelos vitrais, pelas abóbadas e pelos detalhes esculpidos em pedra e madeira. A capela está profundamente ligada à Ordem da Jarreteira, uma das mais antigas ordens de cavalaria da Europa, fundada durante o reinado de Eduardo III. Também é um importante local de sepultamento da família real britânica. Entre os monarcas enterrados na capela estão Henrique VIII, Jorge VI e Elizabeth II, falecida em setembro de 2022. Foi nessa capela que aconteceram o casamento do príncipe Harry com Meghan Markle, em 2018, e a cerimônia religiosa de casamento da princesa Eugenie no mesmo ano. A entrada na capela normalmente está incluída no ingresso do castelo, mas existe uma observação importante: a Capela de São Jorge não abre para visitas turísticas aos domingos, embora continue recebendo fiéis para os serviços religiosos. A Casa de Bonecas da Rainha Mary Uma das atrações mais curiosas de Windsor é a Queen Mary’s Dolls’ House, uma enorme casa de bonecas construída durante a década de 1920 para a rainha Mary, esposa do rei Jorge V. O projeto foi idealizado pelo arquiteto Edwin Lutyens e contou com a participação de diversos artistas e artesãos britânicos. A construção em miniatura reproduz ambientes de uma residência aristocrática, incluindo quartos, salões, cozinhas, biblioteca e instalações domésticas. O mais impressionante é o cuidado com os detalhes. A casa possui móveis em miniatura, objetos decorativos, livros e elementos que reproduzem a vida cotidiana de uma residência da aristocracia britânica no início do século XX. Para quem gosta de miniaturas, arquitetura e objetos históricos, é uma das partes mais interessantes do passeio. A Torre Redonda e os pátios históricos A Round Tower, ou Torre Redonda, é um dos principais símbolos arquitetônicos do Castelo de Windsor. Situada sobre uma elevação artificial construída durante o período normando, ela domina a paisagem do complexo. A torre atual resulta de diferentes fases de construção e transformação, incluindo importantes alterações realizadas no século XIX. Durante a visita, é possível caminhar pelos pátios históricos e observar as muralhas, os portões e os edifícios que compõem o castelo. Nem todas as áreas internas da Torre Redonda fazem parte do percurso turístico regular. A Troca da Guarda em Windsor Assim como acontece no Palácio de Buckingham, em Londres, Windsor também possui uma tradicional cerimônia de Troca da Guarda. Os guardas são responsáveis pela segurança cerimonial das residências reais e fazem parte de uma tradição militar que atravessa séculos. A cerimônia pode incluir deslocamentos pelas ruas de Windsor antes da entrada no castelo, dependendo da programação. Vale verificar antecipadamente o calendário oficial, pois a Troca da Guarda não acontece obrigatoriamente todos os dias e pode sofrer alterações por razões operacionais ou condições climáticas. Passeios organizados saindo de Londrescom a Naiade Viagens Também existem excursões turísticas que incluem transporte rodoviário e visita ao Castelo de Windsor. Algumas combinam Windsor com outros destinos, como Stonehenge, Oxford ou Bath. Essas excursões podem ser interessantes para viajantes que preferem ter o transporte organizado, mas é importante analisar o tempo reservado para cada atração. Quando muitos lugares são incluídos no mesmo dia, a visita ao castelo pode acabar ficando bastante reduzida. Para quem realmente gosta de história e deseja conhecer os interiores de Windsor, recomendo reservar tempo suficiente para aproveitar o passeio. Quanto tempo é necessário para conhecer Windsor? O Castelo de Windsor possui uma área extensa, com diferentes edifícios e atrações. Para conhecer os principais ambientes, o ideal é reservar aproximadamente duas a três horas, podendo chegar a quatro horas para quem gosta de observar os detalhes históricos e visitar tudo com calma. Minha sugestão é sair de Londres pela manhã, chegar a Windsor próximo ao horário de abertura do castelo e fazer a visita antes do almoço. Depois, aproveite para caminhar pelo centro histórico, conhecer as lojas e restaurantes da cidade e observar a arquitetura de suas ruas. Dessa maneira, Windsor se transforma em um passeio de um dia bastante agradável, sem a necessidade de correr de uma atração para outra. O que fazer na cidade de Windsor além do castelo? Windsor não se resume à sua principal atração. A pequena cidade possui um centro histórico agradável, ruas comerciais, restaurantes e espaços para caminhar. Windsor Royal Station … Ler mais